<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815</id><updated>2011-12-12T17:30:50.805-02:00</updated><title type='text'>:: excretas verborrágicas ::</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://verborragicas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-7774847059863440955</id><published>2011-12-12T17:22:00.002-02:00</published><updated>2011-12-12T17:30:50.810-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;epítome.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px; background-color: rgb(255, 255, 255); "  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;era um gato de rua. magro, sujo, torto, feio, esquivo. um gato imundo, mundano, umbiguista. vivia embriagado de vapores da noite urbana. um gato de rua podre e pedante. esdrúxulo e extremamente ensimesmado dentro do seu bueiro. bastava-se tanto que a liberdade virou egoísmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;mas era só um gato de rua.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-7774847059863440955?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/7774847059863440955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/7774847059863440955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2011/12/epitome.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-4974337588070795424</id><published>2010-03-25T11:33:00.005-03:00</published><updated>2011-12-12T17:30:45.175-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; "&gt;pequeno relatório sobre uma noite que nunca vivi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 100%; "&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span style="font-size: 100%; "&gt;então chegou mais uma noite igual a todas as outras vividas desde que caí. estrelas e postes enfadonhamente iguais, luzes gélidas afastando qualquer pretensão de sossego e anonimato - ou talvez apenas minhas pupilas me sabotando e me protegendo do medo que eu não tenho do escuro. e naquela noite estúpida eu fui parar naquele lugar em que nunca estive e conheço mais do que a mim mesma. era um lugar extremamente comum, tão comum, deliberadamente comum, que nunca fiz questão de tentar enxergar o que estava fora das minha projeções. e naquela noite, mais uma vez, escutei a música que nunca havia escutado antes; no entanto os acordes me eram mais do que familiares. também estavam lá aqueles ilustres desconhecidos que me acompanham desde sempre. tão ilustres e tão desconhecidos que eu nem vi seus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%; "&gt; célebres rostos. mas reconheci suas ideologias simplórias e corriqueiras, restos de alguma bebedeira homérica. ouvi suas vozes roucas e intimidadoras disputando espaço com a minha sobriedade. contei aos ilustres desconhecidos tudo aquilo que nunca admiti saber e senti tudo aquilo que nunca admiti conseguir. todas as minhas barreiras caídas ao meu redor. e de repente veio a ventania, uma onda forte arrastou todas as minhas partes que estavam por perto. intensidade. intensidade define bem. foi tudo um intenso disparate de uma noite tão distante que só me deixou algumas etéreas reminiscências. ou foi ontem? não sei. tantas noites bizarramente iguais e bizarramente diferentes me confundem - eu, que já não sei mais como lidar com meu tempo e meus desejos. me lembro bem que bebi as mesmas merdas de sempre, enchi os mesmos cinzeiros de sempre e senti aquele desconforto relativamente inédito em mim. então os ilustres desconhecidos cuspiram na minha cara todas as mazelas que eu costumava esconder nos cantos escuros do meu bueiro. meu bueiro. é isso, eu estive no bueiro com os meus fantasmas e projeções estúpidas fabricando mais alguns quilos dos meus intensos disparates.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e tudo continua igual, tão igual.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-4974337588070795424?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/4974337588070795424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/4974337588070795424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2010/03/normal-0-21-pequeno-relatorio-sobre-uma.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-8252080327607698401</id><published>2008-01-18T05:35:00.002-02:00</published><updated>2009-10-16T05:21:10.579-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>e era um dia cor de tédio e cheiro de branco, sólido como um bloco de concreto. não existia uma lua, não existia um sol, não existia um vento, não existia um furacão, não existia um terremoto, não existia uma invasão alienígena em itapecerica da serra, não existia um arrastão na praça matriz de divinolândia, não existia um pão de queijo com maionese picante, não existia uma vontadezinha mínima de tirar o pijama meigo e me montar pra ninguém. enfim, um niilismo existencial bem medíocre e onipresente. o sulferino nas quatro paredes do meu pesadelo contrastando com a cor de tédio do mundo e com e esse maldito hábito de tentar me mimetizar a tudo pra disfarçar sei-lá-o-que, ficando de cantinho-bem-cantinho assim tão de repente que nem eu percebo. de fato fui notar-me no cantinho sulferino após os vapores do vinho e após os vapores da fumaça. essa cor de medo e tédio está insuportavelmente espalhada por todo o meu chão assim como esse cheiro de tinta acrílica misturada com branco e cera finalizadora. o branco dói aquela dor não-induzida e brochante, pior que cocaína barata matamorfoseada em sal de frutas com enxofre. e a janela, como sempre e para sempre, trancada a sete conchinhas. tento me diluir nas sábias palavras escatológicas do velho buk, conselhos travestidos de vinho barato, cavalos de corrida e vagabundas. não, não dá. quem sabe o desespero sufocante e paradoxalmente calmo de kafka? não tem como. e é exatamente aquele dia eterno e cor de tédio e cheiro de branco que exige alguma distração mas não me deixa sair do cantinho-bem-cantinho. ar puro? não resolve. tem gente que nasce pra respirar fumaça de cigarro de palha do canto da boca de algum velho provinciano. e tem coisa que a gente não escolhe mesmo e acontece com uma facilidade absurdamente excessiva. e tem coisa que a gente quer até doer lá dentro aquela dor induzida de ansiedade e está a uma esticadinha de braço, não obstante é abusivamente difícil. é preciso fazer a esticadinha de braço da hora certa, exatamente quando convém ao acaso. o que torna a maioria das pessoas susceptíveis a seus próprios fracassos iminentes é a mania de arquitetar a tal esticadinha de braço. perspicácia, por obséquio. planejar cada átimo de segundo torna as coisas insuportavelmente chatas, mesmo as mais desejadas, mesmo o futuro mais brilhante, mesmo a trepada mais inusitada. e é esse tipo de coisa que elimina toda e qualquer possibilidade de escolha prévia e racional. uma coisa ou outra. às vezes é um querer tão querer que vai e volta por séculos até virar fato consumado sem prévio aviso. aleatoriamente falando, esperar dói. e dói litros. deixa o dia cor de tédio e cheiro de branco, sólido como um bloco de concreto. passei os últimos meses fazendo[tudoerrado]. não consigo mesmo planejar os próximos cinco minutos sem misturar realidade com mundo onírico, nem gosto. mas essa é a ordem natural dos fatos: primeiro vontades viram planos, depois de um tempo não cronometrado planos viram reminiscências empoeiradas na estante, por fim vontades voltam a vontades e se elas forem realmente grandes transformam-se em realidade e retomam planos distorcidos. acabo como uma caronista de mim mesma sem gps nos corredores sem placas e cheios de portas onde impera a total incerteza. para os céticos ou amantes da argumentação, vide raskólnikov e cândido. o pobre raskólnikov perdeu um pedaço da vida que poderia ter sido deveras significante a planejar o daqui-a-pouco que nem existia de fato. e então? deu tudo errado. cândido de voltaire passou muito tempo buscando a vida perfeita, e quando conseguiu viu que era uma ressaca de vodca barata. não faço planos, tento visualizar meus desejos imediatos e colocar a pontinha do pé no chão. não quero a vida perfeita, quero a vida que satisfaça minha necessidade psicossomática de viver em caps lock. dei a esticadinha de braço na hora que me foi conveniente e agora estou de cantinho, cheia de medo, fedendo a desespero e me alimentando das folhas caídas do calendário. enfim, nada de muito atípico. raskólnikov e cândido que me perdoem, quero ser camila chirivino fodida e mal paga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-8252080327607698401?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/8252080327607698401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/8252080327607698401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2008/01/e-era-um-dia-cor-de-tdio-e-cheiro-de.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-5798528587485872769</id><published>2007-04-30T05:17:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T16:18:19.005-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e então que chorei as lágrimas mais amargas, me encolhi toda, me enrocambolei no edredon como se o vento cortante das madrugadas divinolandenses de julho existisse somente naquele lugar que eu passei a chamar metonimicamente de "quarto". chorei alto e dolorido, expulsei as mágoas em forma de soluços profundos. pedi um abraço. mentira. tudo não passa de uma poética mentira. não chorei, não soltei palavrinhas, não pedi abraço. apenas me encolhi, me mimetizei ao edredon, apaguei a luz e fiquei calada tentando mandar para o estômago a bola de boliche que estava na garganta, tentando mastigar as farpas com sangue e colocar os pregos no colchão. "eu sinto tanta falta de você, de andar pelas ruas sem saber porquê e escrever nas roupas tudo o que ninguém parece escutar". como diria aquele cara do los hermanos, "aquilo que eu temia aconteceu ou foi só ilusão": me transformei num transgênico estrambótico drummondiano de mim mesma. a minha história? desenhos, percepção despercebida de uma realidade inexistente. palavras, hieroglifos enigmáticos de um código degenerado. imagens, imagens nas pálpebras, no céu da boca, nas roupas. imagens que ninguém quer ver, símbolos que ninguém quer entender, uma subjetividade ébria e inerente a mim. sinto falta de mim mesma, do tempo em que eu era real dentro do meu mundo inventado. eu acreditava nos meus próprios passos, mesmo que incertos e inacabados como um clipe sem nexo e sem final de uma música sem escala e tom. me sinto como aquele garoto do filme que de repente se vê preso a um livro em branco de uma história sem fim. essa é a essência da coisa: nunca acaba, acaba e ninguém percebe, recomeça e ninguém nota, ciclos se fundem a todo momento e ninguém é avisado quando tem uma nova chance. sempre correndo, sempre atrasada... talvez seja adolescente demais esse negócio de incertezas e culto a um passado não tão distante e não tão bagunçado como agora. vejo uma 'velha' de cinqüenta anos perdida em algum lugar fracassado do mundo, com olhos bonitos e uma saudade imensa de si mesma sob forma de remorso, sem luz e sem sombra. tudo o que ela quer é sair sem rumo numa noite fresca de segunda-feira e voltar bem tarde após cigarros, folhas secas e estrelas cadentes. mas ela não vai. não consegue pensar em nada além do rosto feliz a ser simulado na manhã do dia seguinte. e no próximo. e depois também. e sempre depois do próximo. tudo pra manter aquele emprego detestável de dalitógrafa mal-paga e mal-comida e pagar o aluguel daquele armário travestido de quarto e arquitetado estrategicamente para que o ar não entre. "e é tão fora de moda ficar mal..."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-5798528587485872769?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/5798528587485872769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/5798528587485872769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2007/04/e-ento-que-chorei-as-lgrimas-mais.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-4731356351384537343</id><published>2007-02-07T23:03:00.003-02:00</published><updated>2008-12-06T04:34:08.520-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;"...não há nada além de tinta e sangue em tuas escrituras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu abri os olhos e de repente percebi que haviam colocado uma parede de vidro entre minhas mãos e tudo o que eu sempre quis tocar. de algum modo eu sei que o vidro é inquebrável. desespero. tento bater, não aceito a "verdade: inquebrável" do vidro. cada centímetro do meu corpo pálido dói qual milhares de punhais entrando vagarosamente e sufocando gritos roucos. meus braços já se acostumaram com a dor punjente, eu bato sem parar, sem respirar, sem ver, sem sentir. meus dois braços fracos suicidam-se por exaustão, e o vidro resiste. o sangue saído de meus punhos abertos não pode manchar o vidro, não é digno sequer de aproximar-se dele. o que mais desejo tocar continua intocado e intocável frente a meus olhos salgados de lágrimas e turvos de sangue. tento virar-me na esperança de encontrar saída ou ao menos distração. colocaram outro vidro às minhas costas, o mesmo vidro inquebrável e imaculável, e atrás dele uma luz tão forte que faz meus olhos sangrarem, ultrapassa as pálpebras inchadas e as mãos magras com os punhos fedendo a sangue podre. a luz queima, tortura. colocaram-na lá estrategicamente para me lembrar do FRACASSO. sinto na pele rasgada o vento frio que cheira a amoníaco e carrega grãos de areia e sal. eu mesma coloquei as placas de vidro lá, mas não me lembro da saída. corro em direção ao vento, uma corrida sem fim de olhos fechados e adagas em punho em busca de um inimigo inexistente a quem culpar pela minha própria incapacidade. meus calcanhares sangram sobre o fogo do chão. esfrego os olhos com os punhos ensangüentados para tirar um pouco da areia e das asas de insetos mortos. inútil. tenho as pernas quebradas e me esqueço disso a todo instante. na verdade eu sempre soube do fim trágico, mas nunca imaginei que ter certeza pudesse doer tanto. tanto. e fico impotente diante dessa dor, auto-desprezo. agora já não sei se quero ser um gregor samsa a apodrecer num quarto escuro ou se quero continuar me jogando ao coliseu de FRACASSOS.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-4731356351384537343?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/4731356351384537343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/4731356351384537343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2007/02/no-h-nada-alm-de-tinta-e-sangue-em-tuas.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-117044966381262135</id><published>2007-02-02T18:50:00.001-02:00</published><updated>2009-02-19T16:57:47.027-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>madrugada. pessoas dormem como anjos suínos e exalam odores e ruídos, pessoas descansam em seus travesseiros de pena de ganso e ares homéricos, pessoas sonham com coisas lindas e desejáveis. mas eu não. eu escuto os gritos desesperados daquele gênio que de repente invadiu a minha vida, penetrou em cada milímetro cúbico da minha rede neural e me fez digerir cada palavra de sua arte. tento prestar atenção no timbre de voz, nos gemidos das guitarras, na suavidade do baixo, nas batidas acíclicas da bateria, mas minha mente vai mais alto, transcende os fones de ouvido e paira no teto do quarto. olho fixo para a uniformidade inerte do teto por algum tempo não-cronometrado e tento imaginar como seria se ele não estivesse ali. fecho os olhos, tento pensar em algo que é como é porque não depende da minha vontade e nunca esteve condicionado aos caprichos de alguém. não consigo ver nada além das minhas pálpebras cansadas que mesmo assim não se deixam fechar facilmente. não me lembro de como é o céu além do teto, não me lembro das formas amebóides das nuvens, não posso imaginar a palidez do luar, se é que ainda existe uma lua, se é que ainda existe um céu. talvez eu tenha me trancado por tanto tempo no quarto escuro de desejos falsos e mofados que me esqueci de olhar pra fora. e agora percebo, me esqueci também de como olhar pra fora. já não posso abrir as janelas e deixar a luz entrar. me acostumei a viver sem luz, criando mitos sob uma vela sem pavio e experimentando cores fantásticas de uma paleta monocromática. deixei que as aranhas fizessem suas obras de arte em teia sobre cada vão das janelas. deixei o mofo me invadir e escrever versos épicos e ilegíveis na minha traquéia. tranquei e porta e engoli a chave. os interruptores estão espalhados por todos os lados, são milhares deles ávidos por meus dedos trêmulos a tocá-los no escuro, mas eu fiz questão de cortar todos os fios segundos antes de engolir a chave. não há luz para os espelhos disformes que me perseguem. apalpo a escuridão e só encontro seres etéreos que sussurram em meu ouvido que lá fora existe vida. lá fora. e eu existo só aqui dentro, convivendo horas a fio com meus medos, pesadelos e inseguranças que sempre tentei trancar dentro no armário, atar as mãos, cortar as línguas e asas para sustentar meu vício da auto-suficiência e alcançar o nirvana do inexorável. mas eles existem na mesma proporção que eu semi-existo e o armário está insustentavelmente cheio. a verdade é que eu nunca olhei pra fora e nunca fui um arquétipo da satisfação. melhor assim, isso torna a luz desnecessária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-117044966381262135?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/117044966381262135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/117044966381262135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2007/02/madrugada.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-116808251019833364</id><published>2007-01-06T09:21:00.000-02:00</published><updated>2007-01-06T09:21:50.206-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>o que vem ao caso é que eu sou um caos. pronto, falei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-116808251019833364?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/116808251019833364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/116808251019833364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2007/01/o-que-vem-ao-caso-que-eu-sou-um-caos.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-116295135072704390</id><published>2006-11-07T23:48:00.000-02:00</published><updated>2007-02-07T23:12:49.064-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"é só um dia então como outro dia qualquer em que você não é ninguém... "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela fechou os enormes olhos vermelhos. sentiu o vento sussurrante degladiando-se na selva de cabelos esvoaçantes. sentiu aquele frio sem nexo que percorria toda a espinha e sumia quente e misterioso em algum lugar inimaginável. sentiu as vibrações das malditas caixas de som. definitivamente, seu conceito de música não era aquele. shoulders, toes and knees, i'm thirty-six degrees. trinta e seis graus não tão bem distribuídos na linearidade branca e oscilante; a maioria se chocando no insignificante encéfalo e imergindo em pensamentos tão desconexos. começou a pensar na volatilidade da fumaça hesitante entre os corpos estúpidos a se mexer sem rumo. a fumaça que saía das vísceras de um qualquer e ia se transformando nos moldes das definições pessoais do acaso. a fumaça era linda; e tão execrável quanto as respirações que se misturavam e se constituíam num só suspiro daquele pedaço inútil da montanha insípida. ela olhava por cima das placas de metal procurando algo impossível de ser encontrado e via ao longe uma cidade; com postes e nada mais que postes. talvez fosse só uma cidade de postes acesos e inanimados com alguns mares de morros ilustrando o cenário pitoresco. ela via a lua resistindo à movimentação frenética e paradoxalmente preguiçosa das nuvens ébrias. viu com os olhos de vírgula os sacos de gelatina podre com vozes distorcidas. olhos de vírgula que quase não se abriam por causa da poeria de estrelas que o vento trazia forte. o vento que vinha daquele canto que ninguém conseguia enxergar sem dor. talvez seu conceito de fala fosse como seu conceito de música; algo indizível transcendendo o som distorcido que saía ininterruptamente das pessoas sem face, os sacos de gelatina podre, os paradigmas da humanidade decadente. os olhos de vírgula sufocados uniam-se em essência aos cabelos sem forma e à magreza pálida construindo sua inexorável imagem de desajustedemundo que tantos tentaram definir em versos. ou... talvez ela fosse só mais uma qualquer a cruzar a vida tentando pintar tudo com sua encantadora paleta de tons de vermelho em grayscale. o que distingüe esta ninguém dos demais ninguéns do mundo é o incontestável fato de que ela ainda tenta fazer diferente, mesmo que isso não ultrapasse a redoma de vidro que circunda seu mundinho sob a montanha de bosta. ela já não é mais macabéa. e a ironia da história é que talvez nunca tenha sido; mas demorou para perceber seus [in]satisfatórios talentos intrínsecos. já não é samambaia seca, já não é café frio. é só mais uma ninguém com a capacidade de sentir o cheiro podre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-116295135072704390?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/116295135072704390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/116295135072704390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/11/s-um-dia-ento-como-outro-dia-qualquer.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-115912024312943577</id><published>2006-09-24T14:44:00.001-03:00</published><updated>2009-10-16T04:15:49.166-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>can you feel a little love? enjoy the silence e sinta. sinta a minha respiração ofegante na sua pele. você não sabe como é. sinta minhas unhas escrevendo em códigos indecifráveis tudo o que você queria ouvir. pense no meu beijo que você nunca sentiu. você não conhece o ritmo dos meus lábios. tente imaginar minha temperatura. será que você poderia perceber meu coração batendo forte na garganta? ele bate, agora ele bate e a culpa é sua.  enjoy the silence. i feel you within my mind. se você não se importa, eu me importo. talvez a areia que sobrou tenha chegado até meus olhos. isso dói, arde. você fez o pedaço de pedra que estava aqui dentro lentamente virar areia, nosso inefável lentamente de um mês ou dois. e meu coração teve espaço pra voltar a bater, aquela maldita gelatina vermelha tem vida própria. você é meu intemperismo.talvez a dor punjente determine a hora de parar de ventar, mas são só hipóteses. eu gosto da dor, da dor que você me causa. só a areia que corre dentro de mim e esfola meus vasos me satisfaz. isso é algo intrínseco de quem nunca soube respirar sem o sangue na garganta, nunca soube ver sem a areia nos olhos. enjoy the silence. i feel you. as três palavras fazem o milagre de fugir do clichê. você dói em mim o suficiente para dizê-las assim tão claras. eloqüência? ninguém que tenha um pedaço de gelatina vermelha no peito precisará de eloqüência em tais situações. com você eu não preciso dos meus discursos prolixos, não preciso provar minhas teorias psicodélicas. não estou dizendo que elas fluem entre nós, apenas ressaltando a irrelevância do meu furacão de pensamentos perto do desejo de estar com você. dói, mas eu gosto de sentir você na minha mente. gosto a ponto de querer mais a cada átimo de segundo que minhas células envelhecem. se você não consegue ver tão nitidamente como eu o sentido íntimo desta verborragia, somente enjoy the silence. feel me. seja meu intemperismo enquanto a água não congela e a pedra não se recompõe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-115912024312943577?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115912024312943577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115912024312943577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/09/can-you-feel-little-love-enjoy-silence.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-115560613776575588</id><published>2006-08-14T22:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T22:42:17.766-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>baby, you make my heart beat faster.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-115560613776575588?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115560613776575588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115560613776575588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/08/baby-you-make-my-heart-beat-faster.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-115560519168866641</id><published>2006-08-14T22:21:00.002-03:00</published><updated>2009-10-16T04:16:29.736-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>meu tempo vai ficando cada dia mais ausente de mim. de repente tudo ganhou um ritmo frenético que eu quase não posso acompanhar. quase, inefavelmente um quase. minha vida foi jogada em cima de um trem. e eu fiquei na estação sentada em algum banco de madeira envernizada e metais verdes com um copo descartável de alguma coisa barata e sem gelo. alguma fumaça saindo sutilmente da boca com os suspiros sôfregos. algum vento bagunçando um pouco mais os cabelos e levando pra longe os fantasmas. fantasmas dos tempos dourados em que dois mais dois ainda era quatro. fastasmas da época em que meus olhos não tinham o sangue das palavras. e eu sempre me forço a ver o mundo distorcido. as pessoas da estação viraram grandes sacos de gelatina disforme soltando ruídos torturantes. e elas não param de se mexer e tentar transpôr a barreira da franja. a intransponível barreira dos fios já não pode suportar o bater de asas de um mosquito. o copo se esvazia e o gosto de -ol me faz tremer. a fumaça dos suspiros também se vai. as gelatinas disformes deixam de me observar e entram no trem. o trem grita e mexe as pernas e corre e corre e corre cada vez mais. enfim, sou novamente uma total anônima em uma estação abandonada com um copo vazio entre as mãos imóveis. e então o óbvio inevitavelmente me pega pelos ombros e balança e grita até meu olhar subir e a parte racional acordar [parcialmente] do delírio. minha vida vai lá, naquele trem já longe. mas não tão longe que eu não possa alcançá-lo. corro. corro. corro. minhas pernas doem. e minha vida se distancia dez anos em um segundo. tudo dói e eu até penso em parar. não pela dor, e sim pelos ímpetos de voltar para a estação que também se distancia. se distancia e me atrai. talvez eu tenha que ficar lá no banco da estação com o copo e as fumaças vendo pessoas deformadas com olhares pérfidos querendo penetrar minha alma. talvez um dia o trem volte. e minhas coisas certamente estarão no depósito de perdidos de alguma estação decadente e desabitada de alguma cidadezinha riscada do mapa. alguma cidadezinha que já teve as glórias de um passado histórico e hoje é só um monte de sucata atrapalhando o caminho do vento. no fim eu sou só uma cópia rasurada das coisas que imagino. e meus desejos não passam do rascunho esperando por uma mão ávida a amassá-lo com ódio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-115560519168866641?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115560519168866641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115560519168866641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/08/meu-tempo-vai-ficando-cada-dia-mais.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-115484273896495690</id><published>2006-08-06T02:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-06T02:38:58.976-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>convivendo com o frustrante fracasso.&lt;br /&gt;mas nada de obscuridade por aqui, o fracasso é gonzo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-115484273896495690?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115484273896495690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115484273896495690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/08/convivendo-com-o-frustrante-fracasso.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-115156045110882653</id><published>2006-06-29T02:48:00.001-03:00</published><updated>2009-10-16T04:19:51.567-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>há um prego na parede, bem na sua frente. consegue visualizá-lo? esforce-se, tente ver além do que o mundo vê, tente olhar para onde eu estou apontando. consegue? às vezes você precisa se desprender um pouco de si mesma e imaginar coisas que não existem, mas existem. não, não é preciso entender. caso você tenha conseguido visualizar o prego, será que consegue observar mais um detalhe? eu estou lá. eu estou aqui sussurrando ao seu ouvido e lá pendurada no prego por uma corda enrolada no pescoço. não, não dói, apenas faz cócegas. e pra você, dói? eu estou lá em cima com a traquéia fechada, sem respirar. e sabe do melhor? o prego foi colocado estrategicamente para cair daqui alguns minutos. até a parede é podre. tudo ao redor é podre. e eu? eu sou um tanto de gelatina e ossos e sujeira dentro de um saco de pele torturada. eu posso sentir os segundos gotejando sobre mim. todo o tempo eles caem bem no meio da minha testa, e eu não posso fugir. afinal, eu sou um saco podre de ossos e gelatina e não consigo me mover. nem poderia me mover, estou pendurada na parede, caindo aos poucos. a parede vai se desfazendo, se esfarelando. e eu posso ouvir o tijolo se desintegrando. posso sentir o impacto dos grãozinhos caindo no chão. e você, pode sentí-los? pode me ouvir? estou gritando um pouco acima de sua cabeça, gritando algo incompreensível, pois o som dos segundos caindo sobre mim me deixa louca. não quero ouví-lo mais. minha voz some aos poucos e o desespero aumenta proporcionalmente. por que você não dá um murro na parede e agiliza o processo? ou você ainda não me ouve? um pedaço de mim está sussurrando bem perto do seu ouvido e quer que você atire um paralelepípedo na parede. às vezes esse pedaço até se arrisca a enfiar a língua na sua orelha. será que você sente? o que me irrita é essa sua indiferença desproposital. acredite, as coisas seriam bem melhores se você fosse filhadaputa e esnobe porque quisesse. pelo menos assim eu teria a quem culpar. o sangue começa a correr fraco nas veias. se é que ainda restou algum sangue depois da última vez que você me rasgou. já não consigo enxergar minhas veias verdes-azuis-roxas inchadas no braço. já não posso ver meu coração batendo timidamente no peito. já não posso enxergar minha sombra nos seus olhos. parei de sentir o impacto dos minutos misturados com poeira. e ainda me resta o último milímetro de prego enterrado na parede. e depois que o saco de merda cair junto com a corda e o prego? aí você catarra em cima, vira as costas e vai embora. não peço mais nada. enfim, caindo. a velocidade aumentando e dois metros duram uma eternidade. o impacto do ar me tortura. o som das micropartículas do ar batendo em mim causa espasmos psicológicos. pronto. agora só resta uma massa disforme e levemente ensangüentada perto de seus pés. é a sua vez: catarre. não, não vire as costas, você não pode ir embora sem me dar a última humilhação. adeus, pedaço de vidro estúpido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-115156045110882653?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115156045110882653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/115156045110882653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/06/h-um-prego-na-parede-bem-na-sua-frente.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-114948425596480460</id><published>2006-06-05T01:55:00.000-03:00</published><updated>2006-06-05T02:10:55.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;você&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;não&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;pode&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;controlar&lt;/B&gt; tac tic tac tic &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tac tic &lt;B&gt;tempo&lt;/B&gt; tac tic tac tic &lt;B&gt;do&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;mundo&lt;/B&gt; tic &lt;B&gt;.&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;mas&lt;/B&gt; tac tic tac &lt;B&gt;você&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;pode&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;controlar&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tac tic tac tic &lt;B&gt;seu&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;próprio&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic &lt;B&gt;tempo&lt;/B&gt; tac tic tac &lt;B&gt;.&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;e&lt;/B&gt; tic tac tic &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;seu&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;tempo&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;não&lt;/B&gt; tac &lt;B&gt;é&lt;/B&gt; tic tac tic tac &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tic tac tic &lt;B&gt;que&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;você&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;pensa&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;que&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;ele&lt;/B&gt; tic tac tic tac &lt;B&gt;é&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic &lt;B&gt;.&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;afinal&lt;/B&gt; tac tic tac tic &lt;B&gt;,&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tac tic tac &lt;B&gt;que&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;é&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;a&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;sua&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;bosta&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;perto&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;de&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;todo&lt;/B&gt; tic tac tic &lt;B&gt;o&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;esgoto&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;do&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic &lt;B&gt;mundo&lt;/B&gt; tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac &lt;B&gt;interrogação&lt;/B&gt; tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-114948425596480460?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/114948425596480460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/114948425596480460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/06/tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-114158092092078084</id><published>2006-03-05T14:15:00.001-03:00</published><updated>2006-03-09T14:39:21.906-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>murphy quer me comer por trás. sim, ele quer. quer muito. eu sou a obsessão de murphy. a doce obsessão amarga de murphy. e ele me quer a todo custo e vai me perseguir até conseguir, até me pegar e foder tudo o que eu tenho de fodível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu acordo com murphy do meu lado, na minha cama. ele gruda em mim o dia todo. ele me agarra neste calor infernal e nós transpiramos e ele faz minha maquiagem derreter e minha vida vazar pelos poros. ele não me solta por um minuto. quando eu como, ele vai apertando meu esôfago gradativamente, vagarosamente, até a dor ficar insuportável, então eu engasgo e cuspo sangue. ele ri. murphy disputa espaço comigo na cama. ele me empurra e deita em cima do meu braço até deixá-lo roxo e com milhares de escaravelhos caminhando sob a pele e enfiando as garras nos nervos e me fazendo ter espasmos. ele gosta de me fazer sofrer. ahh, ele gosta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nós estamos juntos já há algum tempo. não me lembro exatamente quanto, mas o suficiente para me fazer acostumar com os caprichos de murphy. ele é tão sistemático quanto eu, e invariavelmente vemo-nos medindo forças. confesso que murphy é bem mais forte que eu e ainda não me matou porque quer se divertir bastante antes de ir embora, e está conseguindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;murphy ainda não me comeu. mas não é a minha resistência que está fazendo-o adiar, ele ainda não fez porque não quis fazer e quer aproveitar cada segundo deste inferno. murphy sim é que vive como deve-se viver. ele se diverte às custas das pessoas por algum tempo, e quando elas estão à beira da loucura ele as fode e vai embora procurar mais diversão. e o detalhe pitoresco da história é que ele nem se lembra do rosto das suas fodas. algumas tão bem dadas e ele esquece! eis o sentido da vida: foder muito bem, esquecer e procurar novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu vivo numa terrível luta contra murphy. minha doce ilusão é impedir que ele me coma. ilusão sim, pois ele tem braços extremamente flexíveis de quatro metros de comprimento e poderia me alcançar em qualquer canto do nosso quarto escuro e mofado. poderia me alcançar, enrolar seus braços de modo que fosse impossível soltar-me, jogar seu corpo de cento e oitenta quilos sobre o meu e explodir meu esfíncter anal em questão de segundos. sim, ele poderia fazer isso tudo e ir embora em busca de mais diversão a qualquer momento. mas o desgraçado não faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele não faz porque gosta de ver meu desespero. e eu penso que ele nunca demorou tanto assim com outra pessoa. por pior que a idéia pareça, nós formamos a dupla perfeita. eu e murphy nos completamos. somos dois filhosdaputa fazendo joguinhos homicidas. e nos amamos. sim, nós nos amamos desde que a anteninha seletora de murphy piscou ao me ver e eu bati meus olhos cor de bosta-fresca-de-vaca nos olhos negros dele. love is suicide, literalmente. mas eu sei que nosso amor vai acabar quando ele me foder. ele é assim, precisa foder e ir embora. sempre. sempre. eu o amo. eu o odeio. eu o amo. eu o odeio. eu fico louca e não quero que ele faça. a sanidade volta e eu quero que ele faça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tentei matá-lo. e ainda tento de todos os modos, com todas as forças. mas como era de se esperar, ele se intromete nos meus planos ou simplesmente escorre por entre os dedos da morte como a vida escorre por minhas mãos enquanto ele me persegue. quando eu passo soda cáustica no vibrador cor-de-rosa de silicone que ele usa toda sexta à noite, ele inventa de fumar aqueles charutos fedorentos e deixar a diversão para o dia seguinte. quando eu coloco água sanitária no colírio os olhos dele nem ficam vermelhos. quando eu coloco algum veneno letal na vodca ele inventa de chapar com mescalina e deixa a vodca de lado. e enquanto isso ele me desespera. ele sussurra no meu ouvido e respira na minha nuca. me pendura pelos tornozelos na sacada do vigésimo andar e me obriga a cantar com ele. morde meus ombros. me deixa exangue e me faz rir. eis o nosso joguinho mortal. nossa deliciosa diversão. o fruto do nosso belo amor suicida. doentio, suicida e lindo. lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e só me resta uma pseudo-certeza: ele vai foder cada centímetro de meu corpo e me abandonar, questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ahh, meu doce murphy! meu efêmero e profundo amor. vá foder os rabinhos de seus soldados e me deixe em paz. vá enfiar esse vibrador cor-de-rosa de silicone que eu odeio e me deixa morrendo de ciúmes nesse seu cu enorme e me deixe viver. eu te amo, mas quero que esse seu pau de cinco quilos seja decepado e você sangre até morrer. quero que seus enormes braços fiquem roxos como você faz os meus ficarem, e que seu sangue não volte e eles apodreçam, com moscas e odor fétido. quero o podre. quero que seus cento e oitenta quilos de músculos escorram como uma diarréia por suas pernas e desapareçam no esgoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu quero. quero. quero. quero. quero tanta coisa e sei que murphy é indestrutível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero que você rasteje aos meus pés e diga que me ama. quero que fique grudado em mim para sempre. quero que seja a causa da minha loucura. ahh meu murphy, fique comigo para sempre e nós vamos nutrir esse amor doentio até conseguirmos a auto-destruição. será que você é capaz? não. você não conseguiria a auto-destruição. você acabaria comigo e continuaria como sempre fez: me esqueceria e encontraria outra vítima dos seus fetiches.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu soubesse que meu rosto ficaria gravado para sempre, que meus olhos encontrariam os seus quando se fechassem, que você se lembraria de mim a cada pessoa que quisesse foder... se eu soubesse que meu fantasma lhe aterrorizaria pra sempre até você se suicidar... eu imploraria pra que me fodesse agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e agora só me resta saber se eu sou só mais uma putinha de murphy a cair no esquecimento ou se nossos joguinhos significam algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em ambos os casos, meu doce murphy, nos poupe disso. esqueça-me sem comer-me e procure outra diversão. procure alguém que não tenha suor de sangue nas palavras. procure alguém que não tenha farpas correndo nas veias... foi bom enquanto durou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu te amei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu te odiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu te esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esqueça-me, meu desgraçado e belo murphy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-114158092092078084?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/114158092092078084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/114158092092078084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/03/murphy-quer-me-comer-por-trs_05.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18979815.post-113806945529916306</id><published>2006-01-24T00:17:00.000-02:00</published><updated>2006-01-24T00:33:42.463-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>e de repente nós desejamos a lembrança sólida. pois nossas cabeças já estavam cheias de saquinhos de lembranças, muitos deles, empilhados por todos os cantos do salão interno do crânio, disputando espaço com os saquinhos de sanidade. nada mais cabia em nós quando nossas mentes cuspiram a idéia. ela nos inspirava medo e repulsa. mas recolhemos os caquinhos de idéia e montamos o quebra-cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;golpe certeiro e respingos vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o olhar passeando do ombro até a mão. a mão trêmula apoiada na mesa e sentindo o morno da poça de sangue que engolia-a rapidamente. e literalmente, como era intensa a dor da perda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alguns centímetros distante, sem vida e exangue, já não parecia mais ter feito parte deste corpo um dia, ter nascido desta mão quase sem sentidos. esta mão egoísta que joga fora o sangue das veias e artérias como se nada aqui dentro precisasse mais do líquido. e nada precisava no momento em que as sensações físicas davam lugar a um estado de transe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu viajava ao som de meus próprios gemidos, respirando fundo e deixando o cheiro de sangue invadir minhas narinas, vendo o vermelho intenso espalhando-se e turvando-me a visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo parecia arrastar-se com dificuldade e quando pudemos abrir os olhos já estávamos de volta ao real e o brilho leve já havia ficado pegajoso. a dor tomava conta de cada célula do meu corpo que parecia já não ter sangue a correr. desfiz-me das sensações ruins e ocupei meu pensamento com a doce satisfação pelo êxito da idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dias passaram. a noite já mostrava suas últimas luzes puras, suas últimas cores sem a lenta chegada do dia. enquanto as nuvens corriam pelo céu acariciando a face da lua como se estivessem predizendo algo, eu me misturava à janela. sem cor, sem luz, sem sons, sem movimentos. apenas o subir e descer do peito denunciando uma respiração calma e sôfrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e de repente saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passei a mão por sobre o bolso e senti-o molhado. espantei as moscas e peguei carinhosamente o pedacinho de você que estava sob meus cuidados. olhei para ele por um tempo sem soltar palavras. pude observar que ele já estava apodrecendo como um pedaço de carne qualquer que permanece ao ar livre. pude recordar que quando o sol estava alto os urubus acompanhavam-me pelas ruas como se me protegessem de algo, mas na verdade queriam comer meus miolos como comeram o pedaço de mim que foi dado a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olhei fixamente para aquela ponta de dedo quase irreconhecível e comecei a falar-lhe sobre coisas da vida. quando o monólogo a dois já havia chegado às  angústias de raskólnikov ródia senti uma lágrima contornando-me o rosto e caindo sobre meu pulso. respirei fundo e o cheiro podre invadiu-me as narinas fazendo com que meu peito doesse. e continuou doendo e me dizendo que você deveria estar ao meu lado. espantei uma mosca e percebi que raskólnikov poderia ser um babaca aos seus olhos. eu preciso da sua opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em um movimento rápido algo voou sobre minha mão e levou você embora. o pedacinho de você já estava terminando de se desfazer em algum estômago ávido e não havia mais nada a fazer. conformei-me. acabei digerindo a podridão e vendo o óbvio que se escondia de mim há pouco tempo atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não queria tudo. queria apenas o que você pode pensar ou dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as moscas já não estavam por perto e o sol exibia o primeiro raio. fechei a janela e joguei na cama o monte de ossos e carnes e cartilagens que precisavam adormecer. lá estava eu imóvel sobre a cama com os olhos arregalados e furacões de pensamentos a espancar a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não havia sentido o cheiro. a saudade me incomodava mais do que a carniça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;engoli os comprimidos e fechei os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo seria outro dia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18979815-113806945529916306?l=verborragicas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/113806945529916306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18979815/posts/default/113806945529916306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verborragicas.blogspot.com/2006/01/e-de-repente-ns-desejamos-lembrana.html' title=''/><author><name>divina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08487494356807970990</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RDxDwb1Fh6s/SnBx4NJRJbI/AAAAAAAAAG8/qaUmiNik4uk/S220/abc.jpg'/></author></entry></feed>
